Em 2025, a Sportradar identificou 34 partidas suspeitas em eSports entre cerca de 100.000 monitorizadas – uma taxa de 0,03%, das mais baixas entre todos os desportos. Este número deveria ser reconfortante, e em certa medida é. Mas 34 partidas suspeitas são 34 vezes em que alguém tentou manipular um resultado, e para o apostador que colocou dinheiro num desses jogos, a estatística global é irrelevante – o que importa é que o jogo em que apostou poderia ter sido um deles.
A integridade competitiva é o alicerce sobre o qual todo o mercado de apostas de eSports se sustenta. Sem a confiança de que os jogos são disputados de forma honesta, o mercado não funciona. E é por isso que compreender como a indústria protege essa integridade – e onde existem vulnerabilidades – é tão importante como saber ler odds ou analisar um draft.
Sportradar e ESIC – Os Guardiões do eSports
Andreas Krannich, diretor dos serviços de integridade da Sportradar, descreveu o seu sistema de monitorização como uma abordagem integrada que combina monitorização de apostas através do Universal Fraud Detection System – construído com mais de 20 anos de dados históricos e alimentado por inteligência artificial – com relatórios rápidos dos operadores parceiros.
A Sportradar monitoriza mais de 8.000 partidas de LoL e VALORANT por ano, cobrindo 25 ligas em parceria com a Riot Games desde 2019. O sistema funciona em duas frentes: a primeira é a análise de padrões de apostas – quando o volume de apostas num jogo específico se desvia significativamente do padrão normal, ou quando as odds se movem de forma inexplicável antes do início, o sistema emite um alerta. A segunda frente é a análise do próprio jogo – padrões de jogabilidade que não fazem sentido competitivo, como erros deliberados ou decisões inexplicáveis.
A ESIC – Esports Integrity Commission – opera num plano complementar. Enquanto a Sportradar se concentra na monitorização em tempo real das apostas, a ESIC trabalha na prevenção e na educação. Stephen Hanna, CEO da ESIC, tem sublinhado que a integridade é uma responsabilidade partilhada entre operadores, organizadores e jogadores. O programa Anti-Corruption Supporter da ESIC une operadores que partilham dados operacionais para identificar e mitigar ameaças de forma colaborativa.
Em 2025, foram aplicadas 9 sanções em eSports por violações de integridade – um número baixo que reflete tanto a eficácia dos sistemas de deteção como a dificuldade de investigar e provar a manipulação em ambientes digitais. A Sportradar, no total, monitorizou mais de 1 milhão de eventos desportivos em 70 modalidades, trabalhando com 300 operadores parceiros. A escala do sistema é impressionante, mas os eSports continuam a ser um campo onde a monitorização tem desafios únicos – a velocidade do jogo, a quantidade de dados e a globalidade das ligas exigem ferramentas específicas.
Casos Recentes – naiyou, VCS e Hoopa
Os números globais são encorajadores, mas os casos individuais contam uma história mais complexa.
Em março de 2026, o jogador Yang Zi-Jian – conhecido como naiyou – da Top Esports (TES) na LPL recebeu um ban vitalício por manipulação de resultados. É o maior escândalo de integridade em League of Legends dos últimos anos, envolvendo uma das organizações mais proeminentes da China. O caso abalou a confiança na LPL e levou a um reforço imediato dos protocolos de vigilância na região.
O Vietname é outra região problemática. Mais de 20 jogadores foram afastados por match-fixing na VCS – a liga vietnamita de LoL – em 2024, revelando uma rede organizada que explorava jogadores jovens com salários baixos. As ligas de Tier-2 no Sudeste Asiático são particularmente vulneráveis: menos supervisão, menor compensação financeira e maior pressão económica sobre os jogadores criam condições que facilitam a corrupção.
Na Oceânia, o jogador Hoopa recebeu um ban de 12 meses na LCO em janeiro de 2025 – um caso que demonstra que o problema não se limita a regiões específicas. A manipulação de resultados é um desafio global que afeta ligas de todos os tamanhos, embora a escala e a gravidade variem enormemente.
Para o apostador, estes casos não são motivo para evitar apostas em eSports – a taxa de incidência é genuinamente baixa. Mas são motivo para ser seletivo. As ligas com supervisão robusta – LCK, LEC e as ligas de Tier-1 monitorizadas pela Sportradar – oferecem garantias que ligas menores e regionais não conseguem igualar.
Como Proteger-se Enquanto Apostador
Não posso eliminar o risco de apostar num jogo manipulado, mas posso minimizá-lo – e há práticas concretas que sigo.
A primeira é apostar preferencialmente em ligas de Tier-1. A LCK, a LPL, a LEC e os torneios internacionais como o Worlds e o MSI são os eventos com maior supervisão. A Riot Games tem um departamento dedicado à integridade competitiva e coopera diretamente com a Sportradar e a ESIC. Estas ligas não são imunes – o caso naiyou provou-o – mas a probabilidade de deteção é muito maior, o que funciona como dissuasor.
A segunda prática é desconfiar de movimentos de odds inexplicáveis. Se as odds de um jogo se movem de forma drástica sem uma razão aparente – sem mudança de roster, sem lesão anunciada, sem alteração de meta – pode haver informação no mercado que não está disponível publicamente. Não aposto em jogos com movimentos de odds que não consigo explicar.
A terceira é evitar mercados de nicho em ligas menores. Os player props e os mercados de first blood em ligas de Tier-3 ou Tier-4 são os mais vulneráveis à manipulação, porque são mais fáceis de controlar – um jogador pode influenciar o first blood de forma subtil sem que o resultado da partida seja afetado. Em ligas com pouca supervisão, limito-me ao moneyline, onde a manipulação requer a participação de toda a equipa e é mais difícil de ocultar.
A Riot Games afirmou na sua página oficial de integridade que a batota, a manipulação de resultados e as apostas inadequadas podem destruir toda a comunidade de eSports ao minar a confiança e arruinar o jogo para todos os envolvidos. Essa mensagem não é retórica – é o princípio operacional que guia uma das maiores estruturas de apostas em League of Legends do mundo. Como apostador, beneficio diretamente dessa vigilância, e protejo-me ao apostar onde a vigilância é mais forte.
Quantos casos de match-fixing foram detetados no LoL em 2025?
A Sportradar identificou 34 partidas suspeitas em eSports durante 2025, de um total de cerca de 100.000 monitorizadas. Nem todas estas partidas são de League of Legends especificamente, e nem todas resultaram em sanções confirmadas. O número reflete alertas de padrões de apostas anómalos que desencadearam investigações.
Como é que a Sportradar monitoriza as apostas em eSports?
A Sportradar utiliza o Universal Fraud Detection System, um sistema de inteligência artificial construído com mais de 20 anos de dados históricos, que analisa padrões de apostas em tempo real. Quando o volume ou a direção das apostas se desvia do padrão esperado, o sistema gera alertas que são investigados em coordenação com os operadores e os organizadores das competições.
